Na última década Puttin "arrumou a casa". A Rússia (re)começa a dar um ar da sua graça depois de relativamente ignorada pela política internacional, devido essencialmente a uma fase final deprimente de Boris Ieltsin mas sobretudo à desagregação de algumas estruturas de Estado, incluíndo militares e científicas que representaram sérias ameaças à segurança internacional. Paulatinamente Puttin reorganizou o FSB (ex-KGB), exerceu o poder de controlo sobre os oligarcas russos e noutros casos negociou, controlou a situação na Tchechénia, enfim fez o que devia ser feito e deixou um aviso à navegação: continuamos em jogo!
No entanto a Rússia não conseguiu retomar a influência exercida pela União Soviética nos Estados do leste europeu. A opressão comunista deixou marcas indeléveis que perdurarão. Volto ao caso da retirada da estátua ao soldado soviético que foi recolocada em Talin e às consequências políticas e diplomáticas decorrentes que despoletaram aquele que se poderá considerar no futuro como o primeiro caso de ataque cibernético deliberado e executado por um Estado contra outro.
Na reunião da Assembleia Parlamentar da NATO que decorre no Funchal o tema provoca engulhos e é ver todos os presentes a divergir para a questão do sistema anti-míssil na Polónio e do radar na República Checa para protecção da Europa contra potenciais ataques do Irão. É óbvio que este problema será ultrapassado e a Rússia mais não está a fazer do que uma afirmação de poder. Acredito que nas próximas semanas o assunto morrerá. O busílis está no facto de os EUA avançarem para a instalação sem uma decisão formal da NATO (que obriga a consultas à Rússia) a fim de arrepiar caminho pois o processo de decisão na Organização é moroso.
Já quanto ao problema da ciberguerra o caso pia mais fino...