No último post, convidei-vos a verem o programa "60 minutes" de 08 de Novembro em que apresentou uma reportagem de Steve Kroft intitulada "Ciberguerra: Sabotando o sistema".
Ao longo de segunda-feira, dia 10 e também terça, dia 11, vários e significativos foram os comentários desabonatórios em relação a este trabalho jornalístico, rotulando-o de disparatado e sem fundamento (estou a usar palavras bem mais simpáticas do que as lidas...).
A determinada altura da reportagem Kroft faz referância à passagem do discurso que Obama fez 4 meses após a posse, sobre a cibersegurança dos EUA: "É agora claro que esta ameaça cibernética é um dos mais sérios desafios económicos e de segurança nacional que enfrentamos enquanto nação. (...) Sabemos que ciberintrusos penetraram na nossa rede eléctrica e que ciberataques noutros países mergulharam cidades inteiras na escuridão."
Obama não identificou os países em causa mas tudo indica que se referia ao Brasil. Dois incidentes ocorreram, o primeiro em Janeiro de 2005 no norte do Rio de Janeiro e que afectou 3 cidades e dezenas de milhares de pessoas e o segundo que teve o seu início a 26 de Setembro de 2007, 5 meses depois dos ciberataques "da Rússia" à Estónia. Este ataque de Setembro centrado no Estado do Espírito Santo afectou mais de 3 milhões em dezenas de cidades durante um período de 2 dias.
Notícias de hoje referem que desde as 22h13 (Brasil) um apagão massivo afectou 18 estados e parte do Paraguai devido a problemas na hidroeléctrica de Itaipu. Estes problemas acabaram por afectar o regular funcionamento da hidroeléctrica, seguindo-se o conhecido efeito de dominó provocado pelos sistemas de controlo de sobrecargas que disparam por motivos de segurança, fazendo ainda assim que a reposição fosse acontecendo até à madrugada de hoje.
O Ministro brasileiro da Energia responsabilizou as condições atmosféricas pelo incidente. Já em 2007 a empresa de distribuição atribuíu o problema a má manutenção (poeiras acumuladas...).
Se ignorarmos as ominipresentes teorias da conspiração, não deixa de ser uma grande coincidência que em 48 horas, numa sequência de informações publicadas na internet, uma reportagem de televisão identifique uma ameaça dando o exemplo concreto, quase de imediato surgem reações desconsideradoras para com o trabalho jornalístico e para com a ameça e depois do jantar temos a concretização da ameaça: apagão no Brasil.