Uma equipa de investigadores da Universidade de Toronto (Canadá) detectou uma operação de espionagem informática concretizada através da infiltração em computadores, roubo de documentos e alteração de dados e conteúdos.
Cerca de cento e três instituições públicas e privadas de todo o mundo, incluindo a rede informática do Governo português viram infectados 1.295 computadores, por um sistema controlado por três servidores localizados na China e um na Califórnia – EUA.
O gabinete do Dalai Lama foi a entidade que despoletou o pedido aos investigadores do Munk Center for International Studies (Univ. de Toronto), no sentido de auditarem os seus sistemas com vista à eventual detecção de software malicioso ou como é habitualmente designado malware. As suspeitas de que algo de estranho se passava ao nível de fuga de informações, tornaram-se mais fortes pois ao longo dos últimos dois anos constatavam-se algumas dificuldades diplomáticas, nomeadamente quando o Dalai Lama pretendia ser recebido por altas figuras políticas de diferentes países, levando em muitas ocasiões ao cancelamento de audiências e visitas oficiais de que é exemplo o recente caso da não emissão de visto ao líder espiritual tibetano para se deslocar à África do Sul a fim de participar numa conferência, tendo este país reconhecido que tal facto pretendia evitar ferir susceptibilidades com a China, salvaguardando os interesses nacionais e as relações entre os dois países.
Este pedido inicial resultou na descoberta desta operação de espionagem que apresenta especial predilecção por embaixadas e ministérios de negócios estrangeiros, mormente localizadas no Sul e Sudeste Asiático e à qual os investigadores chamaram GhostNet (Rede fantasma). Mesmo após a denúncia pública a rede continua a operar estimando-se a cada semana doze novos equipamentos são involuntariamente “recrutados”.