Quero falar-vos sobre política, o PSD e a Madeira, matéria sobre a qual contenho os escritos, na sequência dos acontecimentos que resultaram na candidatura ao Parlamento Europeu nas listas do PSD de Nuno Teixeira em detrimento de Sérgio Marques.

Em primeiro lugar dizer algo comum mas que importa afirmar pois muitos esquecem-no: ninguém é insubstituível!

Dito isto, e porque é de pessoas que falamos, as escolhas políticas não precisam de ser tratadas com luvas de pelica pois não precisamos de cristais raros, mas também não é de bombos da festa que falamos. Como sempre o bom senso deve imperar.

Conheço o Sérgio Marques há pelo menos 22 anos, desde os tempos da Jota. O Sérgio fazia parte de um conjunto de jovens dirigentes que eram para mim e para muitos dos que militavam na velhinha sede, uma referência de seriedade, humildade e competência. Não era único. Posso acrescentar sem pejo que o João Cunha e Silva estava no topo deste grupo de gente boa, mas o Coito Pita, o Miguel Albuquerque, o Jorge Freitas e o Jorge Pereira, a Helena Rodrigues e o Hernâni Correia partilhavam esse epíteto de “referências” para nós, jovens “aprendizes”. Eles eram o top of the pops! Como podem constatar estão aqui consideradas pessoas para além do cargo de Presidente da JSD. Viviam a política diariamente, a toda a hora, com sentido de missão, com vontade de fazer melhor, de transformar, de mudar as coisas, com sonhos, sem lirismos, com frontalidade, sem golpadas. Que escola!

Conheço também o Nuno Teixeira que se bem me lembro foi meu vogal na Concelhia do Funchal e mais tarde companheiro de Comissão Política Regional tempos em que sofria fortemente das considerações acutilantes sobre um dos seus sobrenomes: o Pisco-Pola! Dessa altura guardo dele o papel de mediador nos frequentes desaguisados entre mim e o Jaime Filipe Ramos. Quase sempre a mediação não chegava a bom porto… J Tempos divertidos!

Sérgio Marques fez um trabalho excelente ao longo do tempo que tem estado em Bruxelas. Lembro-me de nos Conselhos Regionais da Jota discutirmos o conceito, a ideia de Ultraperiferia. Adivinhem quem estava lá à frente: pois o Sérgio. Não fez tudo sozinho, não foi uma estrela, nem se pôs em bicos de pés. Foi diligente, trabalhou em equipa e foi discreto. Referência ainda para a sua passagem pelo GR como Director Regional do Planeamento entre 88 e 90.

O Nuno Teixeira, integra a equipa política do Gabinete do Vice-Presidente João Cunha e Silva. Para além da sua inglória candidatura no Clube Naval do Funchal, não me lembro de outras actividades públicas de relevância, mas claro podem existir. Não as conheço.

Sigo esta linha de escrita, para evidenciar que enquanto Sérgio Marques seria certamente um elemento catalisador de uma vitória expressiva nas urnas, Nuno Teixeira, terá de construir tudo num mês e meio. Será obra. Nestas circunstâncias não há muito que inventar:

1 – o marketing já preparado para o Sérgio adaptar-se-á ao Nuno;

2 – Alberto João Jardim terá de patrocinar muito de perto o candidato de forma a emprestar o seu prestígio político.

3 – João Cunha e Silva terá também de se “chegar à frente” pois é de “um dos seus” que se trata.

4 – Nuno Teixeira terá de “dar o litro” e mais importante do que o de bom fizer é o que de mal evitar. Conquistar os madeirenses e não menos displicente, os militantes.

5 – Finalmente, que ninguém se engane, o PSD-M, as bases do partido terão como sempre o papel fulcral indo por essas estradas fora, aos comícios, aos eventos, ao porta-a-porta para ajudar o projecto social-democrata ao serviço da RAM, a mais uma vez, vencer.

Tudo isto é para mim, de alguma forma, linear. O mesmo não posso dizer do processo que resultou na situação actual. Entendo que os políticos não devem considerar a sua actividade numa óptica de carreira, antes como missão que cada cidadão assume num dado momento ao serviço ao próximo. Entendo que essa tem sido a postura do Sérgio Marques. O seu desempenho em Bruxelas e o seu prestígio junto do eleitorado recomendavam a sua candidatura em lugar elegível. O 8º lugar que lhe foi reservado e ter tomado conhecimento da situação por um jornalista, agridem a sua dignidade pessoal e política. “Tendo-os no sítio” e com a hombridade que se lhe reconhece nada mais havia a fazer do que dar oportunidade a outro. Sérgio, manifesto a minha solidariedade pública estendendo um caloroso abraço. O Partido continua certamente a contar contigo para outros desafios.

A reviravolta do lugar da Madeira de 8º para 5º suscita as mais variadas especulações. Não acredito em complexas maquinações neste caso mas não me deixa de surpreender a forma como as coisas foram conduzidas. Não parece nada o estilo e prática de AJJ!!? Obviamente não conheço os meandros do que se passou e pode ser que as negociações tenham sido estrategicamente colocadas no terreno de modo a chegarmos a este ponto. Poderá não ser de ignorar que:

1 – Ferreira Leite não está a conseguir mobilizar o Partido e o país e dependendo do resultado das europeias o seu futuro político ficará marcado. A sua substituição é um cenário em que AJJ poderá ter um papel cimeiro.

2 – As listas para as legislativas nacionais estão por fazer e num cenário de maioria relativa do PS ou (quero acreditar) do PSD, em que os deputados da Madeira sejam elementos decisivos, as nossas escolhas serão importantíssimas.

3 – Na sequência do ponto anterior, teremos algum tempo depois uma revisão constitucional.

4 – As listas para as autárquicas também estão por elaborar… como disse de início ninguém é insubstituível e o Sérgio está “solto”.

5 – Finalmente, AJJ anunciou que em 2011 pretende mudar de vida.

Estes pontos podem ser pano de fundo nos desenvolvimentos ocorridos mas sobre os quais não quero para já especular.

Para terminar, uma mensagem de estímulo ao Nuno Teixeira, que de repente se viu numa posição que provavelmente não esperava mas à qual certamente irá entregar-se de alma e coração. Cá estarei para por essa Madeira fora, ajudar.