Correio da Manhã - 01 Junho 2009 - 02h12
2.278 ataques em 2008

Os piratas informáticos atacam cada vez mais a rede da Administração Fiscal: só em 2008 foi registado, segundo a Direcção-Geral de Informática e Apoio aos Serviços Tributários e Aduaneiros (DGITA), um total de 2.278 ataques provenientes do exterior, um aumento de 72,4 por cento face às 1321 tentativas de acesso não-autorizado via internet ocorridas no ano anterior. A pressão da pirataria informática é tão elevada que a DGITA efectuou mesmo duas análises de risco durante 2008, uma em Janeiro e outra em Novembro.

O relatório da DGITA do ano passado é categórico: 'Durante o ano de 2008, os ataques provenientes do exterior totalizaram 2278 ocorrências.' E precisa o organismo, que dá apoio tecnológico às direcções-gerais de Contribuições e Impostos (DGCI) e das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo (DGAIEC), que 'estes números não incluem as tentativas de pesquisa da rede e outras actividades similares, as quais são em número muito elevado mas com um grau de perigosidade mais reduzido'.

Para garantir a 'protecção da rede interna', a Administração Fiscal garante que 'é assegurada, a partir de uma consola central e de uma configuração distribuída, a actualização diária do software de antivírus nos servidores e estações de trabalho dos domínios de rede da DGAIEC, DGCI e DGITA'. É assim que o Fisco garante que são salvaguardados os dados pessoais (de IRS e IRC) de mais de seis milhões de contribuintes dos ataques dos piratas informáticos.

SAIBA MAIS

SEGURANÇA TÉCNICA

A chamada 'protecção de perímetro' da segurança informática foi instalada na Administração Fiscal em 2006. Consiste no controlo do tráfego que entra e sai da rede gerida pela DGITA no âmbito do Ministério das Finanças.

153 milhões foi o número de mensagens de correio electrónico analisadas pela DGITA, em 2008.

334 mil foi o número de ocorrências de vírus informáticos detectadas e resolvidas pela DGITA no ano passado.

CORREIO ELECTRÓNICO

As mensagens de correio electrónico não-solicitado ascenderam a 23,6 milhões e-mails. Muitas vezes as ligações à internet ficaram bloqueadas.

'PESSOAS PODEM TER PROBLEMAS' (Domingues Azevedo, Presidente da CTOC)

Correio da Manhã – Que riscos implica o acesso não-autorizado à rede informática do Fisco?

Domingues Azevedo – Existem grandes riscos. Primeiro, o risco da perversão do sigilo fiscal, porque há acesso a documentos e pode haver quebra do sigilo.

– Quem terá interesse em entrar na rede?

– Pode ser alguém com interesse em conhecer os rendimentos e o património do cidadão A, B ou C.

– Os contribuintes podem ser prejudicados?

– Sim. Imagine que alguém entra na rede e liquida um imposto. Uma vez liquidado, o imposto entra no processo e vai criar problemas ao contribuinte e descredibilizar o sistema.