Com eleições legislativas a 27 de Setembro, arranca oficialmente a campanha eleitoral, embora as máquinas partidárias já estejam visivelmente no terreno desde o início do mês.

Aos portugueses cabe escolher os deputados que os representarão na Assembleia da República, cuja maioria será indicativa da indigitação do futuro Primeiro-Ministro que será Manuela Ferreira Leite (espero eu) ou José Sócrates (se quisermos continuar a afundar o país).

A crise marca indelevelmente estas eleições e os portugueses, preocupados com o estado da nação, particularmente com a economia, estando o desemprego no topo das prioridades dos partidos e claro, do cidadão.

Dificilmente consigo fazer prognósticos. A minha sensibilidade, confirmada pelas sondagens, é que a maioria absoluta do PS já era. E sobre sondagens é o único aspecto sobre o qual estou certo. Quanto ao resto é uma lotaria. Os portugueses estão de algum modo fartos da forma nem sempre elevada como se faz política em Portugal. São casos de corrupção não penalizada ou branqueada, são promessas não cumpridas e atitudes displicentes para com o país que evidenciam mediocridades mal disfarsadas. Uma das coisas necessárias na próxima revisão constitucional é reduzir significativamente o número de deputados no Parlamento ou mudar o sistema de eleição (círculo eleitoral/candidaturas artificiais).

Ferreira Leite tem ido contra esta corrente de mediocridade. Recusou "vender-se" como "produto" e assumiu-se igual a si própria sem máquinas de marketing e imagem. Convenhamos que pode não a favorecer mas que a Senhora tem coragem não há dúvida. Compromete-se com o que pode fazer e norteia a sua comunicação pela verdade. Conseguiu um programa que é de longe o melhor de todos os propostos pela sua objectividade e simplicidade distanciando-se das "bíblias" que vão resolver tudo a todos.

No cenário de incerteza que se vive quanto ao desfecho dos resultados, à Madeira interessa derrotar Sócrates e repor a justiça das transferências do Orçamento de Estado para a Região, corrigindo ou simplesmente revogando a Lei das Finanças Regionais idealmente garantindo com os deputados eleitos (do PSD) por este círculo, uma maioria na Assembleia da República por razões óbvias quanto à negociação política dos dossiês que nos interessam.

A ver vamos... vá votar! Nestes momentos mais difíceis considero fundamental que a votação seja expressiva. A abstenção é a maior inimiga dos portugueses.